Será mesmo que tudo que pedirmos ao Pai nós vamos receber?

Jesus BFF

Como diria Arnaldo, o teólogo dos campos verdejantes (risos), a regra é clara: se tá na Bíblia, tá valendo! Vamos conferir, com grifos adicionados por mim:

You did not choose me, but I chose you and appointed you so that you might go and bear fruit —fruit that will last — and so that whatever you ask in my name the Father will give you. João 15:16 (NIV)

Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome. João 15:16 (NVI)

Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. João 15:16

Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda. João 15:16 (versão Católica)

No me elegisteis vosotros á mí, mas yo os elegí á vosotros; y os he puesto para que vayáis y llevéis fruto, y vuestro fruto permanezca: para que todo lo que pidiereis del Padre en mi nombre, él os lo dé. João 15:16 (Reina Valera)

Parece bem claro, não é verdade? Tudo o que pedirmos ao Pai, no nome de Jesus, Ele vai nos dar. Bom, então por que, por que tem tanta gente que anda pedindo coisas a Deus usando o nome de Jesus e não recebe?

Essa pergunta faz sentido, tem razão de ser? É válido perguntar isso? Eu acredito que sim. E vou tentar dar uma resposta razoável para ela. Você não precisa concordar comigo, ok?

Vou colocar aqui os motivos pelos quais acredito que estamos fazendo a leitura errada e deixando de obter, é claro, os resultados que desejamos. Acompanhe meu raciocínio e, ao final, comente o que achou.

1º Erro: Ignoramos o contexto

Não podemos ignorar uma frase que começa claramente, na maioria das traduções, com uma expressão de continuidade, ou seja, estabelecendo um inequívoca relação com o que foi dito anteriormente. E isso nem é teologia, é linguística mesmo, decodificação e interpretação de texto básica.

Se o texto diz “para que”, devemos prestar atenção ao que está escrito antes disso, que é:

a. vocês não me escolheram. Ou seja, vocês não podem se considerar melhores que os outros só porque agora me servem.

b. eu (Jesus) escolhi vocês. Logo, vocês não têm mérito nessa escolha para se acharem seres superiores.

c. vocês foram designados e escolhidos para darem fruto. Há um motivo, uma razão para o chamado de Deus sobre vocês que é darem fruto.

d. e esse fruto tem que permanecer, precisa ser duradouro. Não é qualquer tipo de fruto, mas um em específico, o que dura.

2º Erro: Desprezamos os pré-requisitos

Como vimos acima, há duas coisas nesse verso 16, a saber: condições e consequências ou causa x efeito. Ignorar isso é receita para o fracasso. Os quatro subitens do item 1 nos apresentam pré-requisitos que devem ser atendidos como condição para que a manifestação prometida ocorra.

Mas, o que é que muitos fazem? Ignoram tudo o que foi dito antes e correm pro verso final e ficam repetindo feito papagaios algo como que Deus fosse obrigado a ouvir suas orações mesquinhas e atender seus desejos como em um passe de mágica. Trágico! Que cristianismo barato e insosso esse!

3º Erro: Ignoramos para o que Deus nos chamou

Perceba: Deus lhe chamou com um objetivo e um propósito bem específico e especial: produzir fruto. Logo, antes de pedir algo ao Senhor, pergunte-se: você está produzindo algo para o Reino de Deus?

Essa pergunta deve mexer com muitas pessoas e fazer com que algumas delas fiquem coradas de vergonha por não terem o que falar e nem o que apresentar diante de Deus. Espero que esse não seja o seu caso.

Portanto, já que fomos chamados para produzir fruto, jamais podemos ser crentes estéreis, infrutíferos, aguados. Nossa presença deve produzir algum impacto e causar alguma diferença.

4º Erro: Ignoramos o tipo de fruto que Deus quer que nós produzamos

Agora que você já sabe que deve produzir algo no Reino de Deus está na hora de saber que esse algo tem que ser bom. Não pode ser qualquer porcaria, feita de qualquer jeito como se estivesse fazendo por mera obrigação e, quando ninguém está olhando, deixar de lado.

Eu conheço pessoas assim que andam fazendo um trabalho para o Reino de Deus que é tão abaixo da crítica que me causa espanto. Coincidentemente, entre esses também estão alguns que passam por situações complicadas que parecem nunca ter fim, que oram pedindo a bênção de Deus e reclamam de não serem ouvidos.

É claro que essa afirmação corre grandes riscos de cair em generalização e cometer injustiças: nem todos que estão passando por problemas são pessoas descompromissadas com Deus. Em alguns casos essas são justamente as mais provadas e sofridas.

Mas quando me refiro às primeiras estou falando dos frutos que elas colhem pela negligência com uma vida cristã coerente e pessoalmente produtiva.

5º Erro: Por fim ignoramos que nosso fruto deve focar na eternidade

Algo que precisa ser dito para que este post seja justo e honesto com a hermenêutica bíblica: o crente precisa obedecer a três critérios para que suas orações sejam consideradas válidas diante de Deus.

  • Ele deve ser produtivo. Crente estéril, cuja fé é morta, sem obras, não deve se enganar achando que terá suas orações ouvidas por Deus como num passe de mágica;
  • Ele deve produzir frutos bons. Tem muito crente por aí produzindo frutos de todo tipo e qualidade, mas somente os que produzem bons frutos podem se dar ao direito de chegar diante de Deus e colocarem suas petições com confiança e segurança;
  • Ele deve produzir um fruto que permanece. Se você deseja agradar a Deus produzindo frutos, e bons frutos, procure dar prioridade aos frutos que não são passageiros, efêmeros.

Sobre o último ponto eu gostaria de acrescentar algo interessante. Eu fui numa verduraria procurar abacate para comprar (caso não saiba, abacate é um alimento que deixa você mais inteligente e saudável), mas tive que ir em cinco locais diferentes para encontrar.

Em dois deles a pessoa responsável me disse que deixou de vender porque ele era muito perecível, estragava rápido demais e acabava dando prejuízo, comparado com outros.

Concluindo, quero dizer a você que me lê neste instante que se você aceitar que foi chamado por Deus, que esse chamado é eficaz em sua vida, que esse chamado implica em produzir fruto, um bom e duradouro fruto, então meu irmão, pode se achegar diante de Deus com ousadia e, no nome de Jesus, fazer sua petição com segurança e confiança.

E é só ter fé e aguardar que a resposta virá.

Posso ouvir um amém?

 

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Wallace

Just another little servant of the Lord Jesus Christ. Apenas mais um pequeno servo do Senhor Jesus Cristo. Editor do blog Desafiando Limites (http://wallysou.com). Crítico do cristianismo evangélico da prosperidade e pensador cristão amador.

Website: http://wallysou.com/

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2 Comentários

  1. Márcia

    Amém! Entendi.
    Produzir frutos duradouros, e não ser crente "abacate" que fica(deixa) inteligente e saudável mas apodrece rápido, e ninguém quer comercializar rsrs. Brincadeiras a parte, acredito também como está em Romanos 8:26 "… O Espírito ajuda nas nossas fraquezas porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E AQUELE que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos seus santos".
    Fidedignidade e honestidade diante de Deus é ter fé, e isso é um fruto bom, produtivo e que permanece.
    A Misericórdia de Deus é maravilhosa sobre nós não é mesmo!
    Sempre bom ler o blog, não estou comentando pelas correrias mesmo, mas estou lendo e acompanhando.
    Parabéns pelo Pastorado, que seja um ministério próspero para o Reino de Deus.
    A Paz
    Abs

    • oi, Márcia! Paz.

      bom saber que mesmo não te vendo vc está presente! haha

      abs!

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