Cometi um erro, e agora, o que fazer?

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E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Hebreus 12:11

Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. 2 Coríntios 7:10

Cometi um erro, e agora, o que fazer?

Não sei você, mas eu sou uma pessoa que não gosta de errar. E quando eu erro, me sinto muito mal. Fico me martirizando, pensando “como pude fazer isso, como pude cometer esse erro”, coisas assim. Errar, para mim, apesar de ser fácil, não é nem um pouco fácil, se é que você me entende.

Talvez você pense que eu não erro com muita frequência, e não é fácil pra mim admitir isso, mas eu erro com muito mais frequência do que gostaria de admitir. Como você vem ao blog e lê meus textos e é difícil achar um erro – ortográfico ou algo assim, fica aquela impressão que erro pouco. Mas, não se deixe enganar por isso.

Eu erro. Tomo decisões erradas. Eu, falho que sou, cometo falhas. Muitas.

Os posts que você lê aqui, tanto os que gosta como os que não gosta tanto, estão cheios de falhas e erros. Talvez você diga, então: “mas, onde estão, que não os vejo?”. É que eles são editados, corrigidos, analisados e os erros, então, ficam encobertos. Mas, se eu for no histórico de revisão, eu vou ver lá todos os erros que cometi: frases malfeitas, erros ortográficos, incoerências e ideias mal-acabadas ou imperfeitas.

E, deixe-me contar um segredo. Como se isso fosse pouco, eu não publico tudo o que escrevo. Não, senhor. Eu escolho somente aquilo que tem um mínimo de qualidade. Os textos meio chinfrin, aqueles que tenho vergonha de admitir que fui eu que escrevi, esses eu deixo lá, num canto, mofando, sem coragem até de olhar pra eles.

Mas, quem sabe neste momento você se pergunte, por que ele está falando isso? Por que escrever sobre isso, sobre os erros cometidos?

São vários os motivos mas, talvez, o que está pesando mais seja a dor na consciência, o peso de ter errado e saber que errei justamente onde não deveria errar. E dói reconhecer um erro. Dói muito. Se é que posso chamar isso de dor, já que não é no corpo, mas na alma, na consciência e na mente.

E quer saber, essa dor é a que dói mais. Para as dores do corpo existem remédios, chás, ervas, massagens e tratamentos. Mas, e para a dor da e na alma? O que fazer, como lidar com isso? Bom, pra tentar reduzir a dor eu estou, agora… escrevendo.

Também estou lendo um livro que trata justamente disso, de errar, de cometer enganos, de se equivocar. O nome do livro é “Às vezes você ganha, às vezes você aprende…“, de John Maxwell. E foi nele que aprendi a lidar com meus erros de uma forma mais produtiva e inteligente.john maxwell win wrong

Kaká, o famoso jogador de futebol, também escreveu um breve artigo que trata desse mesmo assunto e, lá no fim, ele repete o título do livro. Aqui o link:

6 coisas que aprendi com o futebol e levo para a vida

Ou seja, perder, errar, enganar-se, cometer equívocos faz parte da vida. E é bem doloroso, mas a vida é assim e é assim que a vida é, com seus altos e baixos, prazeres e dores, sabores e dissabores, doces e amargos e, claro, acertos e erros. Acertar é doce, errar é amargo.

Mas, doce em demasia faz mal, dá cárie, engorda, tira sua disposição e, pra acabar com tudo, ainda tem o poder de invocar aquelas terríveis secretárias do coisa-ruim, as infames diabetes. Já o amargo, de vez em quando, faz bem. Faz bem pro fígado (jiló), pra mente (brocólis), pro coração (vinho seco, em pequenas doses) e até pra alma, como diz o texto dos versos que abrem o post.

Então, se você errou, não é o fim do mundo. É só mais um dia ruim, que temos que passar e, claro, baixar a cabeça por um tempo e dar a volta por cima, mais à frente.

Eu já cometi muitos erros na vida, tantos que perdi a conta, parei de contar. E, se você prestar atenção, ninguém, de verdade, gosta de ficar contando seus erros, percebeu? Mas, por que eu, agora, estou contando os meus? Por dois motivos bem simples: pra eu me sentir melhor e pra que você também se sinta melhor.

Sim, você mesmo. Porque se você entrou aqui e está lendo este artigo é porque cometeu um erro e veio aqui chorar as pitangas. Mas, se não errou e chegou aqui só por curiosidade, chegou de paraquedas, admita: você nem sabe porque está aqui e, isso, obviamente, é um erro. Ou seja, de todo jeito, você errou.

Mas, já que está aqui, não cometa mais um erro e saia antes de terminar de ler, antes de ir até o fim. E lá embaixo você vai poder se vingar de mim, dando uma nota baixa no post, me mostrando que cometi um erro deixando você à vontade pra me criticar. Talvez. Mas, talvez não. Quem sabe? Você é quem sabe.

Agora que já gastei meu latim e a parte filosófica se foi, vamos à parte prática que deve ser, na verdade, o que te trouxe aqui: errei, e agora, me jogo da ponte? Não. Então, faço o quê, Wallace? Vem comigo, vou te falar, porque de errar eu tenho experiência e sei do que estou falando.

Errar é da vida. Se errou é porque você está vivo!

É ruim errar. Mostra e descortina nossos defeitos que tentamos esconder a tanto custo. É desagradável você ter que reconhecer que, depois de tanto tempo e esforço, ainda não mudou tanto quanto achava que tinha mudado.

É difícil ver alguém apontando o dedo pra você dizendo: “eu não disse?”

É chato. É doloroso. Constrangedor, até. Humilhante. Mas, é da vida. E viver é um processo de errar constante. Só não erra quem já morreu ou não tenta o que, pra mim, dá quase no mesmo. Saiu na chuva é pra se molhar. E só não vai atrás do trio elétrico… cachorro amarrado.

Errou? Sem crise. Faz parte, bola pra frente.

Errar é da vida. Mas, é errando que se aprende, também.

Existem duas grandes formas de aprender. A primeira é errando e prestando atenção nos próprios erros. Isso se chama ser inteligente. A segunda é prestar atenção nos erros dos outros e aprender com eles. Isso se chama ser sábio: os outros erram e você aprende com os erros deles, sem precisar passar pela vergonha e constrangimento de errar.

Na escala de inteligência, eu estou no meio da tabela: nem sou dos mais inteligentes, nem dos mais burros. Erro muito, mas nem sempre aproveito bem meus erros pra aprender com eles. Às vezes, é porque sou meio orgulhoso, ou meio besta, ou um pouco de cada coisa, e não admito que errei. Sim, eu sei. Isso é um erro. Mas, fazer o quê? Eu sou humano. E humanos erram.

Mas, humanos também aprendem. E é isso que estou tentando fazer: aprender. E se você está entendendo o que estou fazendo, parabéns, porque você está sendo sábio, aprendendo com os meus erros.

Errar é inevitável. Insistir no erro é opcional.

Saber que você errou pode ser uma das coisas mais desagradáveis, constrangedoras e humilhantes que possa existir. Mas, existe uma coisa pior que essa. Não saber que errou e continuar insistindo no erro.

O erro nos humilha e nos joga no chão sem dó. Mas, lá, no chão, você pode pensar, refletir e se corrigir. Você tem o poder da escolha, o poder de decidir não continuar errando, insistindo no erro. Você pode mudar e deixar de incorrer nesse erro, aprendendo com ele e seguindo em frente.

Errar faz parte, mas você não precisa insistir no erro. Ninguém é escravo de seus erros, a não ser que assim o queira e deseje.

Quando você erra e não admite, faz do erro seu senhor. Mas, quando erra, admite e se corrige, faz do erro seu servo e faz dele um degrau a mais para avançar na escola da vida. Qual dessas duas opções você vai escolher?

Errar é humilhante e massacrante. Mas, para isso existe o perdão.

Escrevo isso sob o efeito devastador do reconhecimento de vários erros que cometi ontem. Dormi pensando neles. E, quando acordei, acordei pensando neles. Minha cabeça girava, pesava e minha consciência doía. Se tem uma coisa ruim na vida, essa é errar.

E que também é a mesma coisa que pecar: na Bíblia, um dos sentidos de pecar é errar o alvo. Pecar, errar, pequenas palavras, verbos curtos, efeitos terríveis.

Quando eu erro, ninguém precisa ficar me humilhando, massacrando, me derrubando e me jogando chão. Isso eu sei fazer, sozinho, sem ajuda de ninguém. Até certo tempo atrás eu sofria muito, mas muito mesmo, quando errava e percebia que havia errado. Às vezes, eu ficava prostrado, me sentia destruído.

Já hoje, isso não exerce o mesmo efeito em mim. O que houve, passei a errar menos? Não. Não estou mais admitindo meus erros? Também não. Então por que errar não me machuca tanto quanto antes? Aprendi a me perdoar. Aprendi a ver que meus erros podem ser oportunidades de rico aprendizado, crescimento e maturidade pessoal.

E quando me dou conta disso, o peso sobre meus ombros diminui muito. E quando vou aprendendo com meus erros, além de a dor ir embora, eu me torno uma pessoa melhor, e meus erros se tornam pedras que uso para subir, para ficar mais alto em direção ao Céu, que é meu verdadeiro lar.

Conclusão

Errar não é agradável. Reconhecer nossos erros é humilhante e, muitas vezes, chato. Mas, nossos erros podem ser grandes e excelentes oportunidades para que nossa vida seja mais produtiva, surpreendente e, por mais paradoxal que pareça, mais satisfatória e com grande senso de realização.

Depois que passei a encarar meus erros de outra forma, minha vida mudou. Quando passei a prestar mais atenção aos meus erros como oportunidades de melhoria pessoal, duas coisas aconteceram: eu perdi um pouco o medo de errar e comecei a amadurecer e crescer mais e melhor.

E, por mais incrível e paradoxal que pareça, comecei a errar menos! Sim, é verdade, apesar de estranho: não ter medo de errar e prestar mais atenção aos meus erros, refletindo sobre eles, dissecando-os e vendo onde, como e porquê errei fez com que eu passasse a errar menos!

Ainda erro. Às vezes, para minha vergonha e alegria dos que ficam me espreitando, de propósito. Ainda erro muito. Ainda erro com força. E tem alguns erros que cometo que me deixam com muita vergonha. Só não fico com mais vergonha porque ou eu erro na frente de pouca gente ou porque erro escondido (doce ilusão essa…).

E tem também aquelas vezes que eu não sei se é um erro ou não, então arrisco só pra ver se é um erro mesmo ou não. Como agora, escrevendo isso, me desnudando diante do universo e dando a cara a tapa.

Muitos dirão que foi um erro. Mas alguns, poucos talvez, vão aproveitar o que escrevi e sair daqui um pouco mais aliviados, com menos peso nos ombros e com a consciência mais tranquila.

E, por causa desses, eu me disponho a errar, a ser alvo de chacota e zombaria, a ser humilhado e desprezado, descer do pedestal e mostrar ao mundo que ser grande é, às vezes, se deixar humilhar e se apequenar para que outros possam subir em nossos ombros e ver um novo horizonte de esperança se descortinar diante de si.

Será que isso é um erro? Para alguns, com certeza. Mas, para outros, é um risco que vale a pena correr.

Quem vai dizer isso? Você. Serei julgado por você. Portanto, fique à vontade para me avaliar.

ps. neste post não fiz uma correção tão criteriosa, perfeccionista até, como tenho costume de fazer, então é provável que alguns – ou vários – erros tenham passado batido. Se quiser apontá-los, não hesite em fazê-lo. Afinal, errar é humano, certo? :)

 

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Wallace

Just another little servant of the Lord Jesus Christ. Apenas mais um pequeno servo do Senhor Jesus Cristo. Editor do blog Desafiando Limites (http://wallysou.com). Crítico do cristianismo evangélico da prosperidade e pensador cristão amador.

Website: http://wallysou.com/

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2 Comentários

  1. Vinicius

    Grade texto!!! Edificou muito mesmo!!

    É um tema de grande importância pois diante de alguns circulo de pessoas constitui-se como um tabu, mas graças a Deus existem espaços onde somos edificados através da sinceridade com perceptivas esperançosas e abençoadas!

    Obriga irmão! Pois eu também erro … mas errava muito mais quando os coloca em um pedestal cheio de medo e vergonha… mas aos aos poucos tenho percebido que não deve ser assim… o seu texto vem a reforçar isso!

    • olá, Vini!

      obg pelo comentário, pelo feedback e tb pelo incentivo.

      que Deus o abençoe, e vamos crescendo pra glória de Deus.

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